domingo, 8 de outubro de 2017

WhatsApp Business inicia testes e pode ser usado com número fixo; veja detalhes

WhatsApp Business 

     O WhatsApp Business já está disponível na Google Play Store para alguns usuários e novos detalhes do aplicativo para empresas foram revelados. Logo de cara, o aplicativo “profissional” do WhatsApp traz um ícone diferente, formado por um B no lugar do gancho de telefone convencional. Além disso, será possível cadastrar as contas em telefones fixos, configurar um perfil público e migrar as suas conversas antigas. Como já se sabia, o WhatsApp Business vai ser um aplicativo separado. Isso deve ser uma boa notícia para empresários, que poderão separar a sua conta pessoal da profissional e ter as duas versões em um só aparelho. Além disso, a página de suporte do WhatsApp revela que será possível cadastrar telefones fixos ao criar uma conta corporativa.
            Para baixar o WhatsApp Business, porém, é necessário responder a uma pesquisa com os dados da sua empresa e esperar até que a sua solicitação seja aprovada. Em seguida, o usuário poderá entrar na Google Play e baixar o aplicativo comercial. Embora o app já esteja disponível em repositórios, como o APK Mirror, não é possível se cadastrar sem um número aprovado pelo WhatsApp.

Confira as principais funções:

Estatísticas: O WhatsApp oferece informações básicas sobre o uso do aplicativo. É possível conferir o número de mensagens enviadas, entregues, lidas e também recebidas na sua conta corporativa. O recurso, aliás, é bastante similar ao que pode ser encontrado atualmente no menu “Configurações > Dados e armazenamento > Uso de rede”.

WhatsApp Business

Perfil de empresa: As contas corporativas terão um perfil no WhatsApp, porém com mais informações do que a versão pessoal. Além da foto e nome de perfil, será possível definir a localização, o tipo de empresa, descrição, endereço de e-mail e um website. O aplicativo também indicará se a sua empresa foi verificada ou não;

WhatsApp Business

Respostas automáticas: As empresas poderão definir respostas automáticas para quando estiverem fora de expediente. É possível escolher no calendário os dias e horários nos quais o atendimento não estará disponível, bem como configurar uma mensagem padrão, incluindo textos e emojis;

WhatsApp Business

Migração de conversas: Caso sua empresa já use o WhatsApp atualmente, será possível migrar a conta atual para uma corporativa. Com isso, haverá uma opção para que as conversas também sejam migradas para o novo app;

O que muda do lado do consumidor

        Conforme o publicado pelo Android Police, quando usuário salva o número de uma empresa em sua lista de contato, será possível acessar todas as informações públicas cadastradas pelo administrador. Além disso, ao iniciar uma conversa, o WhatsApp exibirá o aviso de criptografia habitual, além de uma mensagem informando se a conta foi ou não verificada.

WhatsApp Business

          Por enquanto, os testes do WhatsApp Business ainda são limitados às contas aprovadas pela equipe do aplicativo. Para se cadastrar no programa de testes, acesse este link(cadastro) . Caso aprovado, basta entrar no programa de testes da Play Store e fazer o download do app em seguida.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Vídeo mostra smartphone da Samsung explodindo no bolso do usuário

SmartPhone Samsung que explodiu foto: reprodução
   O incidente aconteceu em um hotel indonésio no dia 30 de setembro, o cliente, identificado apenas como Yulianto, tem 47 anos e passa bem, pois só sofreu queimaduras leves. Ele contou à mídia local que sentiu um calor forte e percebeu que o celular começou a chacoalhar. "Antes de eu saber o que estava acontecendo, veio o fogo e entrei em pânico", disse.


     O aparelho era um Grand Duos, lançado em 2013. As autoridades disseram que no momento do ocorrido o celular tinha GPS, Bluetooth e Wi-Fi ativos, o que pode ter contribuído para o superaquecimento que causou a explosão. 
    Mas o verdadeiro culpado é a bateria. Em comunicado enviado à CNET, a Samsung afirmou ter descoberto que o componente presente no celular não foi fabricado por ela ou uma companhia autorizada. "Desejamos sinceramente que nosso consumidor se recupere rapidamente, e recomendamos fortemente que todos os consumidores usem baterias genuínas da Samsung, que tenham sido desenvolvidas especificamente para uso nos produtos da Samsung."

domingo, 24 de setembro de 2017

Tecnologia - Chama (fogo) é controlada eletricamente

Esta é uma de uma série de imagens que mostram o fogo sendo controlado por campos elétricos contínuos e alternados.[Imagem: Dae Geun Park et al. - 10.1016/j.combustflame.2017.06.011]

Compreensão do fogo

       O fogo foi uma das primeiras tecnologias dominadas pelo homem, mas estamos longe de entender exatamente o que ele é e conhecer todos os mecanismos que operam em seu interior. Se soubermos controlar com precisão uma chama ou a queima de um combustível, por exemplo, poderemos reduzir drasticamente as emissões de poluentes no setor de transportes e na indústria.
             Assim, a busca por uma melhor compreensão do fogo continua, e agora cientistas conseguiram pela primeira vez construir um mapa de como as chamas respondem aos campos elétricos.

Ventos iônicos

            As chamas contêm átomos carregados eletricamente - íons - e elétrons, ambos passíveis de serem manipulados usando eletricidade. Daí a importância desse mapa de "ventos iônicos" fluindo a partir da chama sob a ação de campos elétricos de corrente contínua e de corrente alternada.
            Dae Geun Park e seus colegas da Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah, na Arábia Saudita, iluminaram a chama de metano usando um laser de íons de argônio e detectaram a luz refletida para traçar o movimento de partículas individuais - para melhorar a visualização, eles adicionaram à chama partículas reflexivas de óxido de titânio e óleo.

Resposta do fogo à eletricidade

            As imagens revelam detalhes sem precedentes de como a dinâmica das chamas responde à eletricidade. Com um campo de corrente contínua, a chama se inclinou visivelmente para o eletrodo negativo, porque os íons positivos (que superam largamente a quantidade de íons negativos na chama) foram atraídos pelo polo negativo.
           Contudo, e de forma surpreendente, o vento iônico soprou em direção a ambos os eletrodos na corrente alternada, indicando um papel importante também dos íons negativos. A dinâmica do vento iônico dependeu não da polaridade, mas da frequência da corrente alternada, embora apenas em baixas frequências.

Aplicações práticas

           Esses ventos iônicos podem influenciar o processo de combustão ao permitir uma redistribuição controlada do calor e dos produtos da combustão por convecção. "A beleza deste método é que ele pode ser adaptado a aparelhos existentes - pode ser adicionado como um método de controle ativo para qualquer sistema de combustão pré-existente. Dependendo da configuração do sistema e do tipo de combustão que queiramos controlar, podemos usar nosso conhecimento e compreensão para descobrir os locais apropriados dos eletrodos e escolher os melhores parâmetros operacionais, como tensão ou frequência," disse o professor Min Suk Cha.
          Apesar do avanço, o experimento ainda é simples, baseando-se na emissão de eletricidade por dois eletrodos, cada um posto de cada lado da chama. Mas o campo elétrico pode ser manipulado com grande precisão espacial e temporal, oferecendo um vislumbre das novas possibilidades de controle à disposição.

Bibliografia:

Bibliografia:
Visualization of ionic wind in laminar jet flames
Dae Geun Park, Suk Ho Chung, Min Suk Cha
Combustion and Flame
Vol.: 184, October 2017, Pages 246-248
DOI: 10.1016/j.combustflame.2017.06.011

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Primeiro robô molecular capaz de construir moléculas

Idealização artística de um nanorrobô molecular. [Imagem: Stuart Jantzen]

      Os pequenos nanorrobôs podem ser programados para mover cargas moleculares, usando um minúsculo braço robótico, ou para juntar essas cargas para formar novas moléculas e compostos químicos. Cada nanorrobô individual, composto de apenas 150 átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, é capaz de manipular uma única molécula de cada vez.
           Eles operam realizando reações químicas em soluções especiais, soluções estas que podem então ser controladas e programadas para dizer aos robôs quais tarefas eles devem executar. "Toda a matéria é composta de átomos e estes são os blocos de construção básicos que formam as moléculas. Nosso robô é literalmente um robô molecular construído de átomos, exatamente como você pode construir um robô muito simples de blocos Lego. O robô então responde a uma série de comandos simples que são programados com insumos químicos," detalhou o professor David Leigh, da Universidade de Manchester (Reino Unido).

Esquema de operação dos robôs moleculares. [Imagem: Salma Kassem et al. - 10.1038/nature23677]


Robótica molecular

        Ainda é tudo bastante lento, mas é basicamente o mesmo tipo de processo usado para fabricar medicamentos, plásticos e qualquer outro produto químico. Os nanorrobôs são operados adicionando "entradas químicas", substâncias que dizem aos robôs o que fazer e quando, assim como entradas digitais alimentam um programa de computador.
          No futuro, esses robôs poderão ser utilizados para fins médicos, em processos avançados de fabricação química seletiva e até mesmo em linhas de montagem industriais. "A robótica molecular representa o melhor da miniaturização das máquinas. Nosso objetivo é projetar e tornar as máquinas as mais pequenas possíveis. Este é apenas o começo, mas antecipamos que, dentro de 10 a 20 anos, os robôs moleculares começarão a ser usados para construir moléculas e materiais em linhas de montagem em fábricas moleculares," prevê o professor Leigh.

Bibliografia:

Stereodivergent synthesis with a programmable molecular machine
Salma Kassem, Alan T. L. Lee, David A. Leigh, Vanesa Marcos, Leoni I. Palmer, Simone Pisano.
Nature
Vol.: 549 (7672)
DOI: 10.1038/nature23677

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Interface neural interliga cérebros de animais


"Nós não podemos sequer prever que tipos de
propriedades emergentes surgirão quando
os animais começarem a interagir como
parte de uma Brainet."[Imagem: Duke University]
    Pesquisadores conectaram eletronicamente os cérebros de dois ratos, o que permitiu que eles se comunicassem diretamente para resolver tarefas comportamentais simples. Um dos ratos estava na Universidade de Duke, no estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, e outro estava no Instituto Internacional de Neurociências de Natal, no estado do Rio Grande do Norte, no Brasil.
      Segundo os pesquisadores o trabalho poderá permitir, no futuro, a ligação de vários cérebros para formar o o primeiro "computador orgânico", que permita o compartilhamento de informação motora e sensorial entre grupos de animais. "Apesar de os animais estarem em continentes diferentes, com a transmissão ruidosa resultante e atrasos de sinal, eles ainda puderam se comunicar", disse Miguel Pais Vieira, principal autor da pesquisa. "Isso sugere que no futuro poderemos criar uma rede de cérebros de animais distribuídos em vários locais diferentes." "Nossos estudos anteriores com interfaces cérebro-máquina tinham-nos convencido de que o cérebro é muito mais plástico do que pensávamos. Naqueles experimentos, o cérebro foi capaz de se adaptar facilmente a aceitar estímulos vindos de dispositivos de fora do corpo e até mesmo aprender a processar luz infravermelha gerada por um sensor artificial," disse Miguel Nicolelis, orientador do estudo. "Então, a pergunta que norteou o presente estudo foi: já que o cérebro pode assimilar sinais de sensores artificiais, será que poderia também assimilar informações geradas por sensores vindos de um corpo diferente?" explicou.

Cérebros interligados

      Para testar a hipótese, os pesquisadores primeiro treinaram pares de ratos para resolver um problema simples: pressionar a alavanca correta quando uma luz indicadora acendesse acima da alavanca, para obter um gole de água. A seguir, eles conectaram os cérebros dos dois animais por meio de duas matrizes de microeletrodos inseridos na área do córtex que processa a informação motora.
      Um animal da dupla foi designado como o animal "codificador". Este animal recebeu um sinal visual que o informou qual alavanca pressionar para receber a recompensa. Uma vez que este rato "codificador" pressionou a alavanca correta, uma amostra da atividade cerebral que codificou a decisão comportamental dele foi traduzida para um padrão de estimulação elétrica, que foi enviado diretamente ao cérebro do segundo animal da dupla, conhecido como o animal "decodificador".
     O rato decodificador tinha os mesmos tipos de alavancas em sua câmara, mas não recebeu qualquer sinal visual indicando qual alavanca ele deveria pressionar para obter uma recompensa. Na média, o rato decodificador obteve uma taxa de sucesso de cerca de 70%, apenas ligeiramente abaixo da taxa máxima de sucesso teórica, de 78%, que os pesquisadores haviam considerado como possível - esta taxa máxima foi obtida quando sinais elétricos gravados do próprio animal foram transmitidos diretamente para o cérebro do rato decodificador.

Um dos ratos estava no EUA, e o outro no Brasil. Eles receberam interfaces neurais, interligadas via internet. [Imagem: Pais-Vieira et al./NSR]

Brainet - Rede cerebral

     A comunicação proporcionada por esta interface cérebro-cérebro foi de duas vias. Assim, o rato codificador não recebia uma recompensa completa se o rato decodificador fizesse uma escolha errada. O resultado dessa contingência peculiar levou ao estabelecimento de uma "colaboração comportamental" entre o par de ratos. "Vimos que, quando o rato decodificador cometia um erro, o codificador basicamente, mudava tanto a sua a função cerebral quanto a comportamental, de modo a tornar mais fácil para o seu parceiro acertar", disse Nicolelis.
    Nicolelis propõe que o experimento demonstra o funcionamento de um "computador orgânico", que resolve problemas de forma diferente de uma máquina de Turing - a arquitetura clássica dos computadores atuais. "Neste caso, não estamos introduzindo instruções e sim apenas um sinal que representa uma decisão tomada pelo rato codificador, que é transmitido ao cérebro do animal decodificador, que tem que descobrir como resolver o quebra-cabeça. Então, nós basicamente criamos um sistema nervoso central composto dos cérebros de dois ratos". Nicolelis observou que, em teoria, tal sistema não está limitado a um par de animais, mas poderia incluir uma rede de cérebros que ele chamou de "Brainet". Esse será o próximo passo na pesquisa. "Nós não podemos sequer prever que tipos de propriedades emergentes surgirão quando os animais começarem a interagir como parte de uma Brainet. Em teoria, você poderia imaginar que a combinação de cérebros poderia fornecer soluções que cérebros individuais não podem alcançar sozinhos. Esta ligação até poderia significar que um animal incorporaria o senso de 'eu' de outro animal", disse ele.

Bibliografia:
A Brain-to-Brain Interface for Real-Time Sharing of Sensorimotor Information
Miguel Pais-Vieira, Mikhail Lebedev, Carolina Kunicki, Jing Wang, Miguel A. L. Nicolelis
Nature Scientific Reports
Vol.: 3, Article number: 1319
DOI: 10.1038/srep01319

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Cerâmica emissora de luz poderá substituir LEDs com vantagens

A equipe pretende agora escalonar o processo para que a cerâmica emissora de luz possa ser fabricada em escala industrial. [Imagem: TPU/Oleg Khasanov]

          Pesquisadores da Universidade Politécnica de Tomsk, na Rússia, acreditam que esta cerâmica emissora de luz pode se tornar uma alternativa mais barata do que todas as lâmpadas atuais, incluindo os LEDs.
                 Outra vantagem da cerâmica luminescente é uma maior resistência, em razão da qual os produtos serão mais duráveis. "Na produção em massa, as fontes de luz de nanocerâmicas luminescentes custam menos em comparação com os LEDs modernos, com sua estrutura eletrônica mais complexa," disse o professor Oleg Khasanov.

Nanocerâmica

                A equipe desenvolveu a cerâmica luminescente a partir de um pó cujas partículas têm dimensões nanométricas, daí o termo nanocerâmica - eles também já criaram cerâmicas transparentes.
               O pó de cerâmica é posto em um molde especial que é eletricamente condutor e capaz de resistir a altas pressões e temperaturas. Comprimido, aquecido e submetido a uma corrente elétrica, tudo simultaneamente, gera-se um processo de sinterização, no qual as nanopartículas se aglomeram, formando um material sólido muito resistente. "Dependendo da composição do luminóforo, é possível obter um espectro variável de cerâmica luminosa, isto é, branca, azul, amarela etc. Com esse objetivo, nós selecionamos os melhores luminóforos na composição geral da cerâmica transparente," relatou Khasanov.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Sem baterias: Torça ou estique esta fibra e ela produz eletricidade

A fibra - aqui vista ao microscópio - é feita de nanotubos de carbono. [Imagem: Shi Hyeong Kim et al. - 10.1126/science.aam8771]
           Uma equipe internacional - da China, Coreia do Sul e EUA - desenvolveu fibras que geram eletricidade quando são esticadas ou torcidas, sem que precisem ser carregadas previamente em uma tomada. O grupo vem trabalhando nestas fibras feitas de nanotubos há mais de uma década, e há pouco haviam conseguido transformá-las em um músculo artificial eletromecânico.
                  Agora batizadas de twistron, as fibras tornaram-se interessantes para a colheita de energia a partir do movimento - do andar de uma pessoa às ondas oceânicas. Por exemplo, quando costurados em uma roupa, fios tecidos com essa técnica podem ser usados para alimentar pequenos aparelhos e sensores. "A maneira mais fácil de pensar em coletores de twistron é pegar m pedaço de fio, esticá-lo, e ele produz eletricidade," descreveu o professor Carter Haines, que já havia fabricado fibras de linhas de anzol para criar músculos artificiais superfortes.

Fibras que geram energia

                  As fibras são fabricadas a partir de nanotubos de carbono. Primeiro os nanotubos são tecidos na forma de fios, muito resistentes, leves e excelentes condutores de eletricidade. Para tornar os fios altamente elásticos, eles são torcidos ao extremo, em seguida contorcendo-se para formar uma fibra - como acontece se você ficar torcendo um elástico e depois permitir que ele se enrole sobre si mesmo. 
                 Para gerar eletricidade, os fios devem ser submersos ou revestidos com um material ionicamente condutor, um eletrólito, que pode ser tão simples como uma mistura de sal de cozinha e água. "Fundamentalmente, essas fibras são super-capacitores," disse o professor Na Li, membro da equipe. "Em um capacitor normal, você usa energia - tal como em uma bateria - para adicionar cargas ao capacitor. Mas, no nosso caso, quando você mergulha a fibra de nanotubos de carbono em um banho de eletrólito, os fios são carregados pelo próprio eletrólito. Não é necessário nenhuma bateria ou tensão externas." Quando a fibra é torcida ou esticada, seu volume diminui, aproximando as cargas elétricas e aumentando sua energia. Isso aumenta a tensão associada à carga armazenada na fibra, permitindo a colheita de eletricidade.

Colheita de energia
Esquema do processo e fabricação e funcionamento
das fibras geradoras de eletricidade.
[Imagem: Shi Hyeong Kim et al. - 10.1126/science.aam8771]

            Esticando ou torcendo as fibras 30 vezes por segundo gera-se 250 watts por quilograma de pico de energia elétrica quando normalizado para o peso da fibra. "Embora inúmeras colheitadeiras alternativas tenham sido investigadas por muitas décadas, nenhuma outra fornece essa alta potência elétrica ou saída de energia por ciclo tão alta quanto a nossa para taxas de estiramento entre alguns poucos ciclos por segundo e 600 ciclos por segundo," disse o professor Ray Baughman.
         Os números impressionam, mas não são práticos para aplicações de colheita de energia porque é difícil imaginar um processo mecânico natural que produza um movimento de tão alta frequência - as aplicações de colheita de energia envolvem processos como a respiração ou o andar humanos, o vento balançando uma folha ou as ondas do mar. Mas o material também opera nessas aplicações de poucos hertz e ainda assim gera energia utilizável. No laboratório, uma fibra pesando menos do que uma mosca doméstica fez acender um pequeno LED cada vez que a fita era esticada. Os pesquisadores também teceram suas twistrons em uma camiseta. A respiração normal mostrou-se suficiente para esticar o fio e gerar um sinal elétrico. "Os tecidos eletrônicos têm grande interesse comercial, mas como você vai alimentá-los?" comentou o professor Baughman. "A colheita de energia elétrica a partir do movimento humano é uma estratégia para eliminar a necessidade de baterias. Nossos fios produziram mais de 100 vezes mais potência elétrica por peso quando esticados do que outras fibras maleáveis relatadas na literatura". 

Bibliografia:
Harvesting electrical energy from carbon nanotube yarn twist
Shi Hyeong Kim, Carter S. Haines, Na Li, Keon Jung Kim, Tae Jin Mun, Changsoon Choi, Jiangtao Di, Young Jun Oh, Juan Pablo Oviedo, Julia Bykova, Shaoli Fang, Nan Jiang, Zunfeng Liu, Run Wang, Prashant Kumar, Rui Qiao, Shashank Priya, Kyeongjae Cho, Moon Kim, Matthew Steven Lucas, Lawrence F. Drummy, Benji Maruyama, Dong Youn Lee, Xavier Lepró, Enlai Gao, Dawood Albarq, Raquel Ovalle-Robles, Seon Jeong Kim, Ray H. Baughman
Science
Vol.: 357, Issue 6353, pp. 773-778
DOI: 10.1126/science.aam8771