sábado, 7 de setembro de 2019

Robô-minhoca em miniatura podem realizar cirurgias cerebrais em breve

Robô-Minhoca - Instituto de Tecnologia Mas

               Pesquisadores liderados pelo engenheiro mecânico Yoonho Kim, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, apresentaram uma prova conceito para um robô miniaturizado, macio e altamente flexível capaz de navegar pelos capilares estreitos do cérebro humano. O amplo design da máquina não é, por si só, incomum. Ela se enquadra em uma classe conhecida no jargão como robôs de continuum suave - e, mais coloquialmente, como robôs-cobra. Variantes já estão sendo testadas para uso em cirurgia cardíaca, porém ainda são grandes demais para navegar pela delicada vasculatura do cérebro.
               Os pesquisadores construíram um modelo virtual em escala para representar a vasculatura do cérebro, cheia de cantos apertados, rotas tortuosas e obstáculos na forma de aneurismas simulados. Um análogo digital de robô-cobra de Kim conseguiu passar com facilidade e também foi capaz de demonstrar um pequeno laser embutido, usado para realizar cirurgias. Esse conceito criado pela equipe do engenheiro mostra um grande avanço para a tecnologia na medicina. Os robôs atuais ainda sofrem com certas restrições, como tamanho e atrito.


               Até agora, no entanto, considerações físicas e mecânicas impuseram restrições à miniaturização. Os sistemas de propulsão, direção e potência - incluindo ímãs rígidos e redes hidráulicas - restringiram os robôs a escalas de centímetros ou, às vezes, de milímetros. Porém, ainda assim eram grandes demais para navegar na vasculatura do cérebro. Um segundo problema com projetos de continuum suave foi o atrito. Muito parecido com um verme que se move pelo solo, os robôs raspam o ambiente, gerando calor e podendo causar danos aos tecidos. A versão projetada por Kim e colegas, no entanto, ajuda bastante na solução da maioria dos problemas. O corpo é feito de uma matriz polimérica macia - que pode ser impressa em 3D ou moldada por injeção -, na qual é implantada uma rede de micropartículas magnéticas. Os mini-ímãs, ativados em conjunto ou individualmente por um cirurgião-roboticista, podem ser usados para determinar a direção da locomoção.
               Uma pele de hidrogel, com apenas alguns nanômetros de profundidade e feita de polímeros reticulados, reveste a parte externa do robô. Os pesquisadores dizem que, em testes, o revestimento reduziu o atrito em comparação com os dispositivos já existentes. Além disso, a ausência de componentes rígidos, fios ou sacos cheios de fluido permite que a cobra-robótica seja produzida em escalas submilimétricas. A pesquisa até o momento foi realizada em modelos de computador ou amostras de tecidos. Os pesquisadores admitem que são necessários mais testes - particularmente nas áreas de biocompatibilidade e vida útil mecânica - antes que os testes em humanos possam começar.




Escultura em Argila - Indiana



quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Sensor colado no dente monitora tudo o que você come ou bebe

O sensor de 2 milímetros quadrados não deixa que você engula nada sem registro. 
[Imagem: Fio Omenetto/Tufts University]

Sensor de comida e bebida

               Sensores miniaturizados, montados diretamente nos seus dentes e se comunicando sem fios com um dispositivo móvel, poderão transmitir informações sobre tudo o que você come ou bebe - toda a sua ingestão de glicose, sal ou álcool, por exemplo. Peter Tseng e seus colegas da Universidade Tufts, nos EUA, afirmam que futuras adaptações permitirão que esses sensores detectem e registrem uma ampla gama de nutrientes, substâncias químicas e até estados fisiológicos.
               Talvez isso permita que as redes sociais e sites de busca lhe ofereçam na hora produtos que possam combinar com o que você está bebendo ou comendo - ou dicas de dieta -, mas a equipe prefere pensar no contexto de cuidados da saúde ou estudos clínicos, que permitirão monitorar a ingestão real de nutrientes ou substâncias e drogas sem depender da observação pessoal dos participantes. Dispositivos usados hoje para monitorar a ingestão alimentar têm várias limitações, como exigir o uso de protetores bucais e precisarem ser substituídos frequentemente, já que os sensores se degradam rapidamente.

Sensor RFID

               O sensor mede 2 mm x 2 mm e foi projetado com uma flexibilidade que permite que ele grude na superfície irregular de um dente.
               O protótipo é composto por três camadas intercaladas: uma camada central "biorresponsiva", que absorve o nutriente ou substância química a ser detectada, e camadas externas, nas quais estão dois anéis de ouro em forma de quadrado. Esses quadrados são na verdade antenas RFID, similares às que são usadas para identificação de produtos nas lojas de departamento - o ouro foi escolhido pela sua biocompatibilidade, já que seria problemático colocar os metais das antenas RFID comuns na boca. A antena coleta e transmite ondas no espectro de radiofrequência. Quando uma onda externa atinge o sensor, parte dela é cancelada e o restante transmitido de volta, exatamente como uma tinta azul absorve os comprimentos de onda mais vermelhos e reflete o azul de volta aos nossos olhos.
               O sensor, no entanto, pode mudar sua "cor" - nesse caso trata-se de uma frequência de rádio e não de ondas visíveis. Por exemplo, se a camada central entrar em contato com sal - ou etanol ou outra substância - suas propriedades elétricas se alteram, fazendo com que o sensor absorva e transmita um espectro de radiofrequência diferente, variável de acordo com a substância. É assim que os nutrientes e outros analitos podem ser detectados e medidos.

"Em teoria, podemos modificar a camada biorresponsiva nesses sensores para focar outras substâncias químicas - estamos na verdade limitados apenas pela nossa criatividade," disse o professor Fiorenzo Omenetto. "Nós ampliamos a tecnologia comum RFID [identificação por radiofrequência] para um sensor que pode ler e transmitir dinamicamente informações sobre seu ambiente, seja fixado a um dente, à pele ou a qualquer outra superfície."

Bibliografia:

Artigo: Functional, RF-trilayer sensors for tooth-mounted, wireless monitoring of the oral cavity and food consumption
Autores: Peter Tseng, Bradley Napier, David Kaplan, Logan Garbarini, Fiorenzo Omenetto
Revista: Advanced Materials
DOI: 10.1002/adma.201703257

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segunda-feira, 25 de junho de 2018

Nano-ouvido supera tímpano humano

Os nano-ouvidos são formados por camadas atomicamente finas de molibdenita. [Imagem: Case Western Reserve University]

     Membranas com a espessura de poucos átomos estão permitindo construir "nano-ouvidos" superpotentes, capazes de receber e transmitir uma faixa de frequências muito acima daquela que o ouvido humano pode ouvir. As membranas atomicamente finas são trilhões de vezes - 10 seguido de 13 zeros - mais finas do que o tímpano humano. A ideia é construir uma nova geração mais eficiente e ultraminiaturizada de dispositivos, incluindo não apenas microfones e alto-falantes, mas toda uma gama de tecnologias sônicas - brocas, sistemas de levitação e raios tratores são alguns exemplos.
         O problema em miniaturizar os dispositivos sônicos está justamente na obtenção de uma faixa dinâmica mais larga."No final, precisamos de transdutores que possam manipular sinais sem perder ou comprometer a informação, tanto no 'teto do sinal' (o nível mais alto de um sinal não distorcido), quanto no 'piso de ruído' (o menor nível detectável)," explicou o professor Philip Feng, da Universidade Case Western, nos EUA.

Membranas atômicas

         O tímpano humano normalmente tem um alcance dinâmico de 60 a 100 dB na faixa de 10Hz a 10kHz, e nossa audição diminui rapidamente fora dessa faixa de frequência. Outros animais, como o gato doméstico ou a baleia beluga, podem ter faixas dinâmicas comparáveis ou ainda mais amplas em bandas de frequência mais altas. As membranas vibratórias em nanoescala desenvolvidas pela equipe foram fabricadas de camadas atômicas de cristais semicondutores. Foram testadas de uma a quatro camadas de cristais de molibdenita (MoS2), medindo 0,7, 1,4, 2,1 e 2,8 nanômetros, respectivamente. Cada membrana mede 1 micrômetro de diâmetro.

Os nanotímpanos alcançam a qualidade de audição dos gatos. [Imagem: Case Western Reserve University]

Audição dos gatos

          O resultado é um nano-ouvido superior ao ouvido humano, comparável em capacidade de detecção ao ouvido de um gato. As nanomembranas apresentam uma excelente capacidade de "sintonização", o que significa que seus tons podem ser manipulados esticando as membranas usando forças eletrostáticas, semelhante ao que se faz quando se afina o som de um instrumento musical. O consumo de energia fica na faixa dos picowatts (10-12 Watt) aos nanowatts (10-9 Watt) para um funcionamento sustentado.

Bibliografia:

Electrically tunable single- and few-layer MoS2 nanoelectromechanical systems with broad dynamic range
Jaesung Lee, Zenghui Wang, Keliang He, Rui Yang, Jie Shan, Philip X.-L. Feng
Science Advances
DOI: 10.1126/sciadv.aao6653



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quinta-feira, 5 de abril de 2018

Olho eletrônico combina lente plana com músculo artificial

Foto do protótipo ainda sem as conexões elétricas. O efeito iridescente é produzido pelas nanoestruturas da metalente. [Imagem: Harvard SEAS]

          Embora seja um dispositivo básico e ainda rudimentar em comparação com o olho humano, o protótipo é uma demonstração de conceito de um olho artificial controlado eletronicamente. "Esta pesquisa combina avanços na tecnologia dos músculos artificiais com a tecnologia de metalentes para criar uma metalente ajustável que pode mudar seu foco em tempo real, assim como o olho humano," disse o pesquisador Alan She. "Fomos um passo além rumo ao desenvolvimento da capacidade de corrigir dinamicamente aberrações como o astigmatismo e o deslocamento da imagem, que o olho humano não consegue fazer naturalmente," acrescentou.

Metalente com músculo artificial

          As metalentes são superfícies planas dotadas de nanoestruturas projetadas com precisão para focar a luz de uma determinada maneira - elas são construídas com a mesma tecnologia dos metamateriais e das metassuperfícies. Enquanto as metalentes feitas até agora eram minúsculas, a equipe já consegue fabricar protótipos até na faixa dos centímetros. Para isso, eles tiveram que desenvolver um algoritmo que comprime a quantidade de dados envolvidos no projeto das nanoestruturas que manipulam a luz. "Como as nanoestruturas são minúsculas, a densidade de informações em cada lente é incrivelmente alta," explicou She. "Se você passar de uma lente de 100 micrômetros para uma lente na faixa dos centímetros, você aumenta a informação necessária para descrever a lente por 10.000. Sempre que tentamos aumentar a lente, só o arquivo do projeto salta para a casa dos gigabytes ou mesmo terabytes."
          No olho humano, a lente - o cristalino - é circundada pelo músculo ciliar, que estica ou comprime a lente, alterando seu formato para ajustar sua distância focal. No dispositivo robótico, esse músculo foi substituído por um elastômero dielétrico transparente que tem como propriedade óptica a capacidade de fazer com que a luz viaje com baixo nível de perda, para não interferir com a imagem. O músculo artificial de elastômero é controlado eletricamente. À medida que ele se estende, os nanopilares se deslocam na superfície da metalente, alterando a forma como a lente inteira foca a luz. A metalente pode ser ajustada controlando tanto a posição dos pilares em relação aos vizinhos quanto o deslocamento total das nanoestruturas.

Nos testes, a metalente adaptativa focaliza os raios de luz em um sensor de imagem de uma câmera (esquerda). Um sinal elétrico controla a forma da metalente para produzir as frentes de onda ópticas desejadas (mostradas em vermelho), resultando em melhores imagens. [Imagem: Second Bay Studios/Harvard SEAS]

Uso eletrônico

          Os testes mostraram que esse olho artificial primitivo consegue simultaneamente focar a luz, controlar aberrações causadas por astigmatismos, bem como executar deslocamentos da imagem. Embora seja um conceito promissor para óculos e lentes de contato inteligentes no futuro, essa tecnologia deverá encontrar aplicações mais prontamente em aparelhos eletrônicos, como câmeras, e em microscópios e telescópios.


Bibliografia:

Adaptive metalenses with simultaneous electrical control of focal length, astigmatism, and shift
Alan She, Shuyan Zhang, Samuel Shian, David R. Clarke, Federico Capasso
Science Advances
Vol.: 4: eaap9957
DOI: 10.1126/sciadv.aap9957

Large area metalenses: design, characterization, and mass manufacturing
Alan She, Shuyan Zhang, Samuel Shian, David R. Clarke, Federico Capasso
Optics Express
Vol.: 26, Issue 2, pp. 1573-1585
DOI: 10.1364/OE.26.001573



quarta-feira, 28 de março de 2018

Estação espacial está prestes a cair na Terra, mas onde ela vai acertar?

O foguete Long March 2F levou Tiangong-1 à órbita em setembro de 2011. FOTO DE LINTAO ZHANG, GETTY

          Uma estação espacial chinesa está em rota de colisão com a Terra e as previsões mais recentes dizem que ela pode cair em qualquer lugar do planeta entre 30 de março e 2 de abril. Batizada de Tiangong-1, que quer dizer palácio celestial, a nave foi colocada em órbita em setembro de 2011. A estação foi desenvolvida para ser usada em testes de tecnologias robóticas e já viu vários encontros de veículos, acoplagens e visitas de astronautas durante sua vida operacional útil. Essa atividade estabelece as bases para uma estação espacial mais permanente que os chineses planejam lançar no futuro próximo. Em maio de 2017, autoridades chinesas divulgaram o primeiro relatório para a ONU (Organização das Nações Unidas) informando que a Tiangong-1 tinha parado de funcionar em 16 de março de 2016. Embora tenha mantido a integridade estrutural, a nave está sem combustível e não pode mais ser controlada por equipes no solo.  
          Agora, circundando a Terra a uma altitude média de 320 km, a estação sofre um arrasto significativo ao encostar na atmosfera externa mais densa do planeta e está perdendo, em média, 4 quilômetros de altitude por dia. Em algum momento, a Tiangong-1 alcançará uma altitude de 69 quilômetros e reentrará em chamas na Terra. Se pedaços da Tiangong resistirem à queda, é difícil saber onde eles poderão cair no planeta. A estação gira duas vezes em torno da Terra a cada três horas e sua órbita a leva entre 43º de latitude norte e 43º sul, o que significa que todos os continentes, exceto a Antártida, são potenciais alvos.  “Tudo que podemos dizer é que ela cairá em algum lugar desse limite de latitude, e nossa resposta não mudará até ela realmente cair”, disse Jonathan McDowell, astrônomo do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian.
          A data precisa da reentrada da Tiangong-1 é também desconhecida até hoje porque a densidade da atmosfera superior muda dependendo da atividade solar. “Quando faltar cerca de 24 horas nós talvez possamos prever a hora da reentrada para aproximadamente três horas”, disse  McDowell. 

Problema de rastreamento


          Nossa capacidade de prever como satélites em queda se comportam ainda é incipiente, em parte porque nos falta a habilidade de monitorar em tempo real a dinâmica atmosférica, diz Moriba Jah, astrodinamicista da Universidade do Texas, em Austin. “Nós não entendemos toda a dinâmica e a mecânica da atmosfera com precisão e antecedência suficientes para prever o futuro”, ele diz. “Isso se traduz em uma incerteza tão grande na trajetória orbital do objeto em queda que pode significar a diferença entre entrar no Oceano Pacífico ou no meio dos Estados Unidos.”

Uma cápsula tripulada se acopla à Estação Espacial Tiangong-1 em uma ilustração feita por uma estatal de comunicação da China em 2013. FOTO DE LI JUNFENG, IMAGINECHINA/AP

          Espera-se que a Tiangong-1 se despedace quando reentrar na atmosfera e há a possibilidade de que fragmentos pesando cerca de 100 quilos atinjam a Terra. Algo semelhante aconteceu em 1979, quando a estação Skylab da Nasa desorbitou e não se queimou tão rapidamente quanto esperado. (Partes da estação caíram na Austrália e, apesar de ninguém ter se ferido, um condado multou a Nasa por jogar lixo em seu território). Em seu relatório para a ONU, autoridades chinesas minimizaram o risco de fragmentos resistirem à queda e Jah e McDowell concordam que as chances estão em nosso favor.
          “A maior parte do planeta é coberto por oceanos então, com todas as chances, se houver alguma peça sobrevivente a maior probabilidade é que ela desça em algum lugar na água,” afirmou Jah. “Mesmo que algum fragmento caia num continente, a maioria da população mundial está centrada em áreas costeiras específicas, o que reduz ainda mais a probabilidade de alguma peça resistente atingir uma área densamente povoada.”

Espaço entulhado


          Ainda assim, a incerteza em torno da Tiangong-1 deveria servir de lição para as agências espaciais e fabricantes de satélites terem “planos B” se perderem controle de grandes recursos no espaço, afirmou Jah. A Estação Espacial Internacional, que tem o tamanho de um campo de futebol americano, está num caminho orbital similar ao da Tiangong-1, e Jah disse que a Nasa está extremamente preocupada em como desorbitá-la adequadamente no final de sua vida.
          “Talvez isso [a estação espacial chinesa desorbitando] seja a motivação para que agências governamentais do mundo todo forneçam financiamento para acadêmicos e pesquisadores realmente entenderem a ciência de reentradas, porque esse problema não desaparecerá, mas vai se repetir”, ele conta. “Os riscos também continuarão aumentando principalmente com o crescente número de objetos em órbita.” Hoje, com mais de 50 mil peças de lixo espacial sendo rastreadas na órbita ao redor da Terra, a verdadeira preocupação é com colisões em órbita, explica McDowell. “Se não começarmos a limpar o que fizemos, o espaço pode se tornar inutilizável por conta de todos os fragmentos voando lá em cima”, ele disse.

Olhos nos céus


          Por enquanto, telescópios ao redor do mundo estão observando atentamente a Tiangong-1 enquanto ela desce para seu mergulho mortal. Observadores do céu podem participar da vigília, inclusive por meio de um webcast ao vivo do Virtual Telescope Project, que será transmitido em 28 de março a partir das 12:00 UT (9:00, horário de Brasília). A estação também pode ser vista a olho nu e é fácil diferenciá-la de um avião: como muitos satélites e a EEI, a Tiagong-1 parece uma luz branca que não pisca deslizando graciosamente pelo céu.
          Quem vive em altitudes médias, tanto no hemisfério norte quanto no sul, tem boas chances de ver a reentrada da estação, dependendo da data que acontecer. Observadores norte-americanos, em particular, terão as visões mais claras da estação nas primeiras horas das manhãs desta semana, enquanto observadores que estiverem em latitudes maiores que 60o não vão ver a estação aparecer no horizonte. Você pode encontrar horários específicos para observar do seu ponto de vista colocando sua localização em vários sites que rastreiam satélites, como o Heavens Above. Céu claro a todos.



terça-feira, 13 de março de 2018

Memórias preparam-se para saltar para a faixa dos Terahertz

Este gráfico ilustra as interações dos pulsos de luz terahertz (rosa) com um nanocompósito alinhado verticalmente. "B" é o campo magnético e "ETHz" é o campo elétrico THz. O filme nanocompósito inclui pilares minúsculos de óxido de zinco (ZnO) (vermelho) incorporados em uma matriz de manganita de estrôncio e lantânio (amarelo).[Imagem: Chris Sheehan]

         Um material ferroelétrico na forma de uma película de espessura atômica mostrou-se capaz de gravar dados magnéticos em uma frequência na faixa dos terahertz, mais de 1.000 vezes a maior velocidade obtida nas memórias atuais. Isto se tornou possível quando um filme de óxidos de perovskita apresentou o fenômeno conhecido como magnetorresistência colossal a temperatura ambiente.
           Além disso, o fenômeno pode ser controlado por meio de alterações de temperatura, como nas memórias de mudança de fase, por magnetismo, como nos discos rígidos atuais, ou - ainda mais interessante quando o assunto é velocidade e baixo consumo de energia - por meio de pulsos de luz. Diferente da magnetorresistência colossal convencional, observada sob campos magnéticos muito fortes e temperaturas criogênicas, o fenômeno observado nas perovskitas opera a temperatura ambiente e sob campos magnéticos de intensidade intermediária.
      A demonstração é bastante inicial, mas os resultados indicam que esses materiais ferroelétricos emergentes são adequados para a construção de componentes ópticos e eletrônicos acima da atual faixa dos gigahertz. "Isso sugere que a magnetorresistência colossal nas frequências THz pode encontrar uso em nanoeletrônica e em componentes óticos THz controlados por campos magnéticos," escreveu James Lloyd-Hughes, da Universidade de Warwick, que trabalhou com uma equipe do Reino Unido e dos EUA.

Bibliografia:

Colossal Terahertz magnetoresistance at room temperature in epitaxial La0.7Sr0.3MnO3 nanocomposites and single-phase thin films
James Lloyd-Hughes, C. D. W. Mosley, S. P. P. Jones, M. R. Lees, A. P. Chen, Q. X. Jia, E. M. Choi, J. L. MacManus-Driscoll
Nano Letters
Vol.: 17, 2506
DOI: 10.1021/acs.nanolett.7b00231



quarta-feira, 7 de março de 2018

Google apresenta Processador Quântico de 72 Qubits

À esquerda, o protótipo do Bristlecone. À direita, um esquema do processador onde cada X representa um qubit, com as conexões aos qubits mais próximos. [Imagem: Google Labs]
          O processador, batizado de Bristlecone, tem 72 qubits do tipo supercondutor. A empresa afirma que o objetivo deste protótipo é funcionar como plataforma de testes para melhorar as taxas de correção de erros, um dos grandes desafios da computação quântica, e a escalabilidade, ou seja, a engenharia necessária para ir acrescentando bits quânticos adicionais.
          Na verdade, o Bristlecone já é um escalonamento de uma versão anterior de 9 qubits. Essa versão anterior apresentou taxas de erro consideradas baixas: 1% na leitura dos valores gravados, 0,1% na confiabilidade das portas de um qubit e, mais importante em termos práticos, 0,6% nas portas de dois qubits. O consenso entre os pesquisadores da área é que a chamada "supremacia quântica", o ponto a partir do qual os processadores quânticos podem superar os processadores eletrônicos clássicos, será alcançada com um processador quântico de pelo menos 49 qubits que apresente uma taxa de erro máxima de 0,5%.

Supremacia quântica

          Como servirá como plataforma de testes, a empresa ainda não anunciou as taxas de erro do Bristlecone. De qualquer forma, a opção por aumentar largamente o número de qubits, sem se limitar aos 49 qubits que a teoria aponta como fronteira para a supremacia quântica, como fez a Intel recentemente, dá aos projetistas um campo mais amplo para experimentações e testes. "Nós escolhemos um dispositivo deste tamanho para podermos demonstrar a supremacia quântica no futuro, para investigar a correção de erros de primeira e segunda ordens usando código de superfície, e para facilitar o desenvolvimento de algoritmos quânticos em um hardware real," anunciou o Google.
          Código de superfície é uma técnica de programação de processadores quânticos que usa códigos estabilizadores compostos de qubits dispostos em duas dimensões, reduzindo significativamente as taxas de erro. Uma técnica alternativa, embora similar, é o chamado código de cores. "Pode-se pensar, por analogia, no código de superfície como um guardanapo com duas partes ásperas e duas lisas, e o código de cores como se dobrássemos esse guardanapo ao longo de sua diagonal. Como no guardanapo dobrado existem coisas novas que agora estão próximas, é possível fazer mais portas lógicas 'transversalmente'. Isso é bom porque evita a propagação de erros e é relativamente fácil. No entanto, o código de cor precisa de mais qubits para interagir em cada estabilizador, o que acaba levando a um limiar de ruído mais baixo. Assim, pode-se dizer que, embora muito similares, cada código tem suas vantagens e desvantagens," explicou o professor Fernando Pastawski, do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

Relação teórica entre a taxa de correção de erros e o número de qubits. A área em vermelho destaca o objetivo da equipe do Google. [Imagem: Google Labs]

Cautelosamente otimistas

          "Queremos alcançar um desempenho semelhante às melhores taxas de erro do processador de 9 qubits, mas agora em todos os 72 qubits do Bristlecone. Acreditamos que o Bristlecone pode então se tornar uma prova de princípio convincente para a construção de computadores quânticos em grande escala. "Operar um dispositivo como o Bristlecone com baixas taxas de erro requer uma harmonia entre uma porção de tecnologias, do software e da eletrônica de controle ao próprio processador. Fazer isso direito requer uma engenharia de sistemas cuidadosa em várias iterações. Estamos cautelosamente otimistas de que a supremacia quântica pode ser alcançada com o Bristlecone," disse a equipe do Google em nota.



quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Rede Neural Vai Adivinhar Palavra, Antes de Ser Dita

As redes neurais com reservatório simplificam drasticamente o processo de treinamento, que pode levar meses nas redes convencionais. [Imagem: Chao Du et al. - 10.1038/s41467-017-02337-y]

          As redes neurais feita com memoristores - componentes eletrônicos que retêm uma memória do que lhes ocorreu anteriormente - prometem melhorar dramaticamente a eficiência do aprendizado de máquina, da inteligência artificial e dos computadores neuromórficos, que trabalham de forma mais parecida com o cérebro humano. Eles construíram uma rede neural em hardware, chamada "sistema de computação de reservatórios", que consegue prever palavras e números que virão a seguir em um texto escrito - e o próximo passo será prever palavras antes que elas sejam ditas durante a conversação normal entre duas pessoas.
              Sistemas de computação de reservatórios, que melhoram a capacidade de uma rede neural típica e reduzem o tempo de treinamento necessário, já foram criados no passado usando componentes ópticos grandes. Usar memoristores, componentes que podem ser fabricados em nanoescala, significa que o sistema pode ser facilmente integrado nos chips eletrônicos atuais com o mesmo nível de miniaturização.

Rede neural de reservatório

           Inspiradas no cérebro, as redes neurais são compostas por neurônios, ou nós, e sinapses, as conexões entre os nós. Para treinar uma rede neural para que ela execute uma tarefa, a rede é submetida a um grande número de questões e as respectivas respostas a essas questões. Uma vez treinada, uma rede neural pode então responder perguntas para as quais ela não sabe a resposta de antemão - por exemplo, identificar um rosto humano em uma imagem.
            Os sistemas de computação de reservatórios construídos com memoristores, no entanto, podem dispensar a maior parte do processo de treinamento porque o componente mais crítico do sistema - o reservatório - não requer treinamento. Quando um conjunto de dados é inserido no reservatório, o próprio reservatório identifica características relevantes nos dados e as entrega em um formato mais simples para uma segunda rede. Esta segunda rede só precisa de treinamento como as redes neuronais mais simples, alterando os pesos das características que a primeira rede lhe passou até atingir um nível aceitável de erro.

Protótipo do Chip contendo uma Rede Neural com
88 Sinap feitas com memoristores. [Imagem:
Chao Du et al. - 10.1038/s41467-017-02337-y]
Previsão de conversas

         As vantagens desse aprendizado simplificado são tão mais significativas quanto mais complicada é a tarefa a ser executada. Por exemplo, identificar um rosto em uma imagem é uma tarefa relativamente fácil, enquanto aprender como uma pessoa entabula uma conversa real é muito mais complexo porque as variações são radicais e imensamente mais variadas. Usando apenas 88 memoristores, a equipe conseguiu treinar a rede neural para que ela identificasse numerais escritos a mão com 91% de precisão.
             O próximo passo será prever não palavras escritas, mas faladas. "Nós podemos fazer predições em linguagem falada natural, de forma que você não precisa falar a palavra toda. Nós podemos na verdade predizer o que você planeja dizer a seguir," garante o professor Wei Lu. Enquanto construir um tradutor simultâneo é ainda um sonho para um futuro distante, os pesquisadores planejam usar sua rede neural para filtrar ruídos em sinais de telecomunicações, como a estática em transmissões de rádio, produzindo um fluxo mais limpo de dados. "Ela poderá também predizer e gerar um sinal de saída mesmo se o sinal de entrada for interrompido," prometeu Lu.

Bibliografia:

Reservoir computing using dynamic memristors for temporal information processing
Chao Du, Fuxi Cai, Mohammed A. Zidan, Wen Ma, Seung Hwan Lee, Wei D. Lu
Nature Communications
Vol.: 8, Article number: 2204
DOI: 10.1038/s41467-017-02337-y



sábado, 9 de dezembro de 2017

Nvidia lança 'placa de vídeo mais potente da história' por quase R$ 10 mil

Nvidia Titan V

      A Nvidia revelou hoje a sua nova placa de vídeo top de linha, chamada de Titan V. De acordo com a empresa, trata-se da placa de vídeo (GPU) mais potente já feita. Ela é a primeira placa gráfica a vir com a nova arquitetura da empresa, chamada de Volta, que foca tanto no uso da GPU para jogos quanto para aplicações em pesquisas científicas e treinamento de inteligências artificiais. Como ela estreia uma nova arquitetura da empresa, ela deve representar um salto de performance maior que o de costume para novas linhas de placas da Nvidia. Ela tem um total de 21,1 bilhões de transistores, capazes de entregar até 110 teraflops de performance. Ela também tem 12 GB de memória HMB (um tipo de memória diferente da GDDR5 que normalmente é usada em placas de vídeo), 5120 núcleos CUDA e 640 núcleos "tensor", voltados especificamente para aplicações de inteligência artificial.
          Fora isso, a placa tem um clock base de 1200 MHz, que pode ser elevado até 1455 MHz por recursos de software (e talvez até mais com overclocking). No total, a Nvidia promete que ela oferecerá uma performance até cinco vezes melhor no em aplicações de aprendizagem de máquina profunda do que as placas da geração passada (como a GTX 1080 Ti), que ainda usavam a arquitetura Pascal da empresa. O vídeo abaixo mostra o novo lançamento:


      Como o The Verge sugere, a Titan V parece ser mais voltada para profissionais que trabalham com processos que exigem muita potência de placas gráficas. Exemplos desses processos são pesquisas científicas em diversas áreas, criação de experiências em realidade virtual com altas resoluções, e treinamento de algoritmos de aprendizagem de máquina profunda. Uma das indicações disso é o fato de a empresa ter destacado a presença dos núcleos "tensor" na placa. Essa palavra faz referência a uma arquitetura voltada especificamente para o treinamento de algoritmos, algo em que o Google já vem investindo ao menos desde maio de 2016."Os sonhos da humanidade como acabar com o câncer, criar experiências de consumo inteligentes e veículos autônomos estão ao alcance dessa nova era de inteligência artificial", diz a Nvidia.
        Outra indicação disso é o preço da nova placa. Ela já está disponível no site da Nvidia por US$ 3.000 (cerca de R$ 9,8 mil), o que faz dela uma das placas de vídeo mais caras já lançadas - ao menos para o público em geral. Por enquanto, a empresa está limitando a venda das placas a duas por cliente (ou seja, se você queria muito gastar mais de R$ 20 mil em placas de vídeo, vai precisar esperar um pouco). Também segundo o The Verge, a arquitetura Volta deve levar bastante tempo para chegar a uma linha mais acessível de placas. Isso porque placas com essa arquitetura seriam bem mais caras de se produzir do que as com arquitetura Pascal. É possível, portanto, que a nova linha de placas de vídeo da Nvidia voltadas para jogos ainda aproveitem a arquitetura anterior. 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Nanobalança

Nanobalança revela pulsação da vida ao pesar uma única célula viva.[Imagem: Martin Oeggerli/ETH Zurique/Universidade da Basileia]

       Como a boa definição de todo problema engendra sua própria solução, David Martínez-Martín, juntamente com uma equipe da Universidade da Basileia (Suíça) e College de Londres (Reino Unido), usou tudo o que já se sabia sobre medições ultraprecisas para criar uma balança adequada a medir coisas vivas. A balança consiste em um cristal finíssimo de silício transparente recoberto com um colágeno ou com a proteína fibronectina. O cristal é fixo por uma extremidade, enquanto a outra pode oscilar livremente. As células, que tipicamente pesam entre dois e três nanogramas - 10-9 grama - são pesadas em condições controladas no interior de uma câmara de cultura.
           Primeiro, um pulso de laser azul é dirigido para a porção fixa do braço, medindo-se então a oscilação que o laser gera na sua extremidade livre. A seguir, o braço é descido até o meio de cultura, onde ele captura uma célula individual. O processo de geração de oscilação é repetido, com o peso da célula sendo determinado pela diferença nas oscilações com o braço vazio e com ele sustentando a célula.

Esquema e microfotografia da balança de células. [Imagem: David Martínez-Martín et al. - 10.1038/nature24288]

         O dispositivo não apenas permite pesar células individuais, como também monitora em tempo real quaisquer mudanças na massa da célula, o que acabou por trazer surpresas inesperadas. A resolução da balança está na faixa dos trilionésimos de grama para a massa - 10-12 grama, ou picogramas - e dos milissegundos para as alterações dos valores lidos - 10-3 segundo. Como, com o laser ligado, o processo de pesagem prossegue continuamente, a tela do computador mostra em tempo real qualquer alteração no peso da célula, tornando possível medir a influência que várias substâncias têm sobre a massa celular, o que acontece quando ela é infectada por um vírus ou como sua massa se altera com a divisão celular, entre muitas outras possibilidades.
          E os testes iniciais da biobalança já apresentaram alguns desafios para os biólogos: "Nós estabelecemos que o peso das células vivas flutua continuamente em cerca de um a quatro por cento, pois elas regulam seu peso total," explicou Martínez-Martín. Para não pagar mico, a equipe trabalhou duro para descartar quaisquer possibilidades de erros de medição: eles conseguiram provar que as células apenas param essas flutuações segundo a segundo quando morrem. "Estamos vendo coisas que ninguém nunca observou," entusiasma-se Gotthold Flaschner, que ajudou a construir a balança.
         O problema agora passa para os biólogos, que poderão usar a balança para tentar explicar essa "pulsação da vida" - de onde vem e para onde vai a porção da massa da célula que se altera continuamente? E não serão apenas os biólogos que tirarão proveito da balança. A equipe afirma que já foi contatada por pesquisadores que trabalham com a funcionalização de nanopartículas, que querem usar a nanobalança para controlar a adição de moléculas específicas às nanopartículas para detectar doenças ou levar medicamentos para o interior do corpo humano.

Bibliografia:
Inertial picobalance reveals fast mass fluctuations in mammalian cells
David Martínez-Martín, Gotthold Fläschner, Benjamin Gaub, Sascha Martin, Richard Newton, Corina Beerli, Jason Mercer, Christoph Gerber, Daniel J. Müller
Nature
Vol.: 550, 500-505
DOI: 10.1038/nature24288

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

NASA testa usina nuclear para bases lunares e marcianas

Cada gerador tem capacidade de 10 quilowatts e pode funcionar por vários anos. [Imagem: NASA]

     Embora os engenheiros chamem o equipamento de "reator nuclear espacial", os geradores de energia alimentados por radioisótopos são diferente dos reatores nucleares convencionais, já que estes aceleram artificialmente as reações nucleares para produzir mais calor. Os geradores de radioisótopos são uma espécie de usina nuclear mais calma, que deixa as coisas acontecerem normalmente. Isso produz menos energia, mas requer um equipamento mais simples e mais confiável. "Esta é realmente a primeira vez [desde a década de 1960] que a NASA desenvolveu seriamente um reator para aplicações espaciais," disse Lee Mason, coordenador do projeto Kilopower, do Centro de Pesquisas Glenn."Esta é realmente a primeira vez [desde a década de 1960] que a NASA desenvolveu seriamente um reator para aplicações espaciais," disse Lee Mason, coordenador do projeto Kilopower, do Centro de Pesquisas Glenn.

Visualização artística de uma usina híbrida solar-nuclear. [Imagem: NASA]

        Se as miniusinas forem aprovadas nos testes de desempenho e durabilidade, a NASA afirma que pretende testá-las em Marte - mas provavelmente as testará na Lua primeiro. A exploração humana desses e de quaisquer outros mundos pressupõe a existência de energia para gerar combustível, ar e água para os exploradores espaciais, bem como recarregar as baterias dos veículos, robôs e outros equipamentos.
          Um relatório da agência estabelece que são necessários 40 quilowatts de eletricidade para uma expedição humana a Marte, onde a temperatura cai fácil a -125º C. Os reatores em desenvolvimento podem gerar 10 quilowatts, de modo que serão necessários quatro deles para uma vila espacial marciana - ou lunar.

Sendo compacto, o gerador também poderá ser usado em robôs, veículos de exploração e mesmo em naves. [Imagem: NASA]

     Lee Mason conta que as usinas nucleares espaciais seriam lançadas "frias", ou seja, desligadas. "Os reatores também têm um inventário radiológico muito baixo no lançamento - menos de 5 curies - de forma que são benignos. Não há produtos de fissão até o reator estar ligado, e é aí que haverá alguma radiação," explica ele. Isso é importante porque uma eventual falha no lançamento, com um foguete explodindo, poderia ser catastrófica se espalhasse elementos radioativos pela atmosfera.
        A energia solar é outra opção para as futuras vilas espaciais, mas isso restringiria a geração de energia a regiões expostas à luz solar. A Cratera Shackleton, da Lua, por exemplo, um dos principais candidatos para a instalação de uma base lunar devido aos potenciais recursos hídricos, é completamente escura. E os pontos mais ensolarados de Marte recebem apenas cerca de um terço da quantidade de luz solar que a Terra recebe.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Supercomputador eletrônico contra-ataca e empurra computador quântico

A IBM afirma que seu objetivo é construir um computador quântico que possa "explorar problemas práticos", como o cálculo de reações químicas.[Imagem: Kandala et al./Nature]

    Engenheiros da IBM descobriram uma maneira de usar um supercomputador comum para simular um computador quântico com 56 qubits - uma tarefa que os especialistas consideravam impossível. Até agora era amplamente aceito que um computador clássico não poderia simular mais do que 49 qubits devido a limitações de memória - a memória necessária para simulações aumenta exponencialmente com cada qubit adicional. A demonstração empurra para bem mais longe o marco que estabeleceria a superioridade dos computadores quânticos sobre os computadores clássicos.

Tabelas multidimensionais

      O mais próximo que alguém chegou de colocar à prova o limite teórico de 49 qubits foi uma simulação de 45 qubits feita recentemente no Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique, que precisou de 500 terabytes de memória. A nova simulação da IBM rodou os 56 qubits com apenas 4,5 terabytes. Isso foi possível graças a um truque matemático que permite fazer uma representação numérica mais compacta de diferentes arranjos de qubits, conhecidos como estados quânticos.
       A operação de computação quântica é tipicamente representada por uma tabela de números indicando o que deve ser feito a cada qubit para produzir um novo estado quântico. Em vez disso, Edwin Pednault e seus colegas usaram tensores, tabelas efetivamente multidimensionais ampliadas com eixos - além das tradicionais linhas e colunas. Graças aos eixos adicionais, muito mais informações podem ser empacotadas nos tensores, desde que se saiba como escrevê-las na linguagem dos tensores. Pednault descobriu uma maneira de fazer exatamente isso para as operações da computação quântica.

Linha de chegada mais à frente

    Embora ainda não esteja claro se a técnica permitirá fazer simuladores quânticos com computadores clássicos, outros pesquisadores da área concordam que a eventual supremacia do hardware dos qubits sobre os processadores de transistores eletrônicos agora terá que ser decidida em um patamar bem superior. O Google havia anunciado que apresentaria um processador quântico de 49 qubits no final deste ano, batendo o conhecido "ex-limite teórico". Mesmo que consiga, contudo, isso agora não vai mais garantir a conquista da supremacia quântica.

Bibliografia:
Breaking the 49-Qubit Barrier in the Simulation of Quantum Circuits
Edwin Pednault, John A. Gunnels, Giacomo Nannicini, Lior Horesh, Thomas Magerlein, Edgar Solomonik, Robert Wisnieff
arXiv
https://arxiv.org/abs/1710.05867

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

WhatsApp vai rastrear seus amigos em tempo real

WhatsApp vai rastrear em tempo real


      O WhatsApp está ganhando um novo recurso, chamado "Localização Atual". A partir desta terça-feira (17), ele vai permitir que você compartilhe a sua localização em tempo real com amigos durante uma conversa. "Hoje, lançamos um novo recurso que lhe permite compartilhar sua localização em tempo real com família e amigos. Seja para se encontrar com amigos, avisar a familiares que você está em segurança ou compartilhar seu trajeto, o recurso Localização Atual é uma maneira simples e segura de informar às pessoas onde você está", disse o WhatsApp em blog.
           A empresa nota que a função possui a criptografia de ponta a ponta, permitindo ao usuário escolher por quanto tempo um contato poderá rastreá-lo — sim, também é possível encerrar a transmissão a qualquer momento. "Funciona assim: abra uma conversa com o contato ou grupo com quem desejar compartilhar. Sob 'Localização', no botão anexar, há a nova opção de 'Compartilhar Localização Atual'. Escolha por quanto tempo deseja compartilhá-la e toque em enviar", explica o aplicativo. "Cada membro da conversa conseguirá ver sua localização em tempo real em um mapa. Se mais de uma pessoa compartilhar sua localização em um grupo, todas as localizações aparecerão no mesmo mapa".
       Os usuários do WhatsApp poderão compartilhar a localização em tempo real durante 15 minutos, 1 hora ou 8 horas. Todo mundo sabe que ferramentas GPS costumam usar muita bateria. Então, a nova função provavelmente vai drenar um pouco a autonomia do seu aparelho. Ao Mashable, o gerente de produto do WhatsApp, Zafir Khan, disse que a "Localização Atual" teve diversas otimizações e não deve oferecer tanto impacto.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Prefeitura do Rio começa a taxar Netflix e Spotify

Rio começa a taxar Netflix e Spotify
       Outra grande capital brasileira começou a cobrar impostos de serviços de streaming, como Netflix e Spotify. Depois de São Paulo, o prefeito Marcelo Crivella, do Rio de Janeiro, sancionou um projeto de lei que regulamenta a cobrança de Imposto Sobre Serviços (ISS) no município.
               A cobrança é basicamente a mesma que foi aprovada em São Paulo. No ano passado, o governo federal aprovou mudanças na cobrança do ISS que inclui serviços de streaming na taxa de 2% que é recolhida. O ISS é um imposto municipal, de modo que cabe a cada cidade aplicar a cobrança a seus próprios critérios.
             Em São Paulo, a alíquota ficou em 1,09%, enquanto que, no Rio de Janeiro, ficou em 2%, de acordo com o que foi publicado no Diário Oficial da capital fluminense e reportado pelo jornal O Globo. A cobrança é feita diretamente das empresas e começa daqui 90 dias - em São Paulo, só deve começar em 2018, caso a proposta seja aprovada pelos vereadores da cidade. Há chances de que esse imposto seja repassado ao consumidor na forma de um aumento nos preços das assinaturas. Por enquanto, porém, nem Netflix e nem Spotify subiram preços.

sábado, 14 de outubro de 2017

Atualização do Windows causa 'tela azul da morte'; entenda o problema

Atualização do Windows causa 'tela azul da morte'; entenda o problema
     O problema veio com a “Patch Tuesday”, a segunda terça-feira do mês, quando a Microsoft distribui suas correções mensais de bugs e pacotes de segurança. No entanto, após a publicação, os fóruns da empresa começaram a receber várias reclamações de usuários do Windows em PCs de diversas fabricantes e até mesmo em computadores montados de forma independente. A Microsoft atribui o problema a um erro de publicação, atingindo principalmente os clientes corporativos. O problema da “tela azul da morte” atingiu computadores com Windows 10 versão 1703, Windows 10 versão 1607 e Windows Server 2016 atrás do WSUS (Windows Server Update Services). Um representante da empresa nos fóruns afirmou que a Microsoft publicou acidentalmente os updates delta pelo canal WSUS, e os computadores que pegaram os dois acabaram com problemas. Usuários que receberam a atualização pelo Windows Update normalmente não são afetados.
          A empresa diz que o problema já foi corrigido e validado, mas existem três cenários em que máquinas ainda podem estar afetadas pela falha:

1- Os Administradores do WSUS/SCCM que sincronizaram a atualização de 10 de outubro (KB4041676 ou KB4041691) antes das 16h PDT em 10 de outubro ainda podem ter esses KBs armazenados em cache.
2- Dispositivos gerenciados WSUS/SCCM que baixaram a atualização KB4041676 ou KB4041691 de 10 de outubro com problemas de publicação e têm dispositivos em um estado de reinicialização pendente.
3- Dispositivos gerenciados WSUS/SCCM que instalaram a atualização KB4041676 ou KB4041691 de 10 de outubro e não conseguem ser inicializados e/ou podem exibir uma tela de recuperação.

       O primeiro problema é mais simples, bastando apenas escanear novamente atrás de atualizações. Os cenários 2 e 3 são mais complexos e requerem uma série de ações para retomar a operação da máquina. Para receber instruções detalhadas sobre como agir nestes casos, vale a pena olhar o site de suporte da Microsoft.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Novo golpe no WhatsApp promete saque de conta do FGTS

Golpe no WhatsApp promete saque de conta do FGTS

    A Eset, empresa de detecção proativa de ameaças, identificou um novo golpe circulando nas mensagens do WhatsApp. O novo golpe promete a liberação do saque da conta inativa do FGTS.
          O golpe pede para a pessoa preencher seus dados e dessa forma ficar sabendo se está na lista daqueles que podem sacar até 1.760 reais do FGTS. A mensagem informa ainda que mais de 7.200 pessoas já sacaram seu FGTS dessa forma. Para que a lista de beneficiários seja liberada, os golpistas pedem ainda que a pessoa compartilhe a mensagem com cinco amigos no WhatsApp.

Golpe no WhatsApp promete saque de conta do FGTS

         Segundo a Eset, mais de 135 mil pessoas clicaram na falsa mensagem de liberação do FGTS. É fácil cair neste golpe, já que o governo liberou neste ano o saque das contas que ficaram inativas no FGTS até dezembro de 2015. O saque pode ser realizado de março a julho e foi estendido para situações excepcionais: doentes e presos.
        A dica de segurança da Eset é não clicar nem abrir mensagens suspeitas, além de desconfiar sempre. “Para proteger seus amigos e parentes, não compartilhe publicações deste tipo. Mesmo não realizando a propagação de um malware, esses ataques podem causar prejuízos financeiros às vítimas”, explica Cassius Puodzius, security researcher da Eset América Latina. A empresa informa que os cibercriminosos se preocuparam em impedir a análise do código. Ao acessar a página por meio de um navegador de desktop e, em seguida, clicar com o botão direito do mouse, o usuário recebe a mensagem: “Desculpa, mas por questão de segurança você não pode copiar o conteúdo”.

domingo, 8 de outubro de 2017

WhatsApp Business inicia testes e pode ser usado com número fixo; veja detalhes

WhatsApp Business 

     O WhatsApp Business já está disponível na Google Play Store para alguns usuários e novos detalhes do aplicativo para empresas foram revelados. Logo de cara, o aplicativo “profissional” do WhatsApp traz um ícone diferente, formado por um B no lugar do gancho de telefone convencional. Além disso, será possível cadastrar as contas em telefones fixos, configurar um perfil público e migrar as suas conversas antigas. Como já se sabia, o WhatsApp Business vai ser um aplicativo separado. Isso deve ser uma boa notícia para empresários, que poderão separar a sua conta pessoal da profissional e ter as duas versões em um só aparelho. Além disso, a página de suporte do WhatsApp revela que será possível cadastrar telefones fixos ao criar uma conta corporativa.
            Para baixar o WhatsApp Business, porém, é necessário responder a uma pesquisa com os dados da sua empresa e esperar até que a sua solicitação seja aprovada. Em seguida, o usuário poderá entrar na Google Play e baixar o aplicativo comercial. Embora o app já esteja disponível em repositórios, como o APK Mirror, não é possível se cadastrar sem um número aprovado pelo WhatsApp.

Confira as principais funções:

Estatísticas: O WhatsApp oferece informações básicas sobre o uso do aplicativo. É possível conferir o número de mensagens enviadas, entregues, lidas e também recebidas na sua conta corporativa. O recurso, aliás, é bastante similar ao que pode ser encontrado atualmente no menu “Configurações > Dados e armazenamento > Uso de rede”.

WhatsApp Business

Perfil de empresa: As contas corporativas terão um perfil no WhatsApp, porém com mais informações do que a versão pessoal. Além da foto e nome de perfil, será possível definir a localização, o tipo de empresa, descrição, endereço de e-mail e um website. O aplicativo também indicará se a sua empresa foi verificada ou não;

WhatsApp Business

Respostas automáticas: As empresas poderão definir respostas automáticas para quando estiverem fora de expediente. É possível escolher no calendário os dias e horários nos quais o atendimento não estará disponível, bem como configurar uma mensagem padrão, incluindo textos e emojis;

WhatsApp Business

Migração de conversas: Caso sua empresa já use o WhatsApp atualmente, será possível migrar a conta atual para uma corporativa. Com isso, haverá uma opção para que as conversas também sejam migradas para o novo app;

O que muda do lado do consumidor

        Conforme o publicado pelo Android Police, quando usuário salva o número de uma empresa em sua lista de contato, será possível acessar todas as informações públicas cadastradas pelo administrador. Além disso, ao iniciar uma conversa, o WhatsApp exibirá o aviso de criptografia habitual, além de uma mensagem informando se a conta foi ou não verificada.

WhatsApp Business

          Por enquanto, os testes do WhatsApp Business ainda são limitados às contas aprovadas pela equipe do aplicativo. Para se cadastrar no programa de testes, acesse este link(cadastro) . Caso aprovado, basta entrar no programa de testes da Play Store e fazer o download do app em seguida.